Por causa disso, um membro de sua família, disse a ela: "Eu tenho uma arma, eu tenho uma bala, e vou colocá-la em sua cabeça e acabar com sua vida. Você está brincando com fogo grande, você vai queimar sua família antes de se queimar e eu fui enviado para acabar com isso." Sob forte pressão ela fugiu para o Reino Unido, onde recebeu asilo político.
Então, o que aconteceu quando o vídeo do YouTube começou a se tornar viral?
O primeiro vídeo lançado por Christy em 16 de abril, mostrava uma apresentação dela em uma universidade na Suécia. No vídeo Christy descrevia o lugar onde ela cresceu nos Territórios Palestinos e a posição única da casa de sua família, que está cercada em três lados por uma barreira de separação. Não demorou muito para que as pessoas começassem a identificar qual era a sua família.
Quase imediatamente a família de Christy começou a receber ameaças de morte e visitas de agentes de segurança e de inteligência da Autoridade Palestina. Até mesmo as igrejas de sua cidade natal pediam para que o vídeo fosse retirado por causa do medo de ataques de Muçulmanos.
Após uma semana de intensa pressão e com apenas 6500 visualizações o vídeo, foi retirado do YouTube.
Mas já era tarde demais. Já se espalhava que a filha da família Anastas era uma traidora da causa Palestina. A irmã de Christy tinha medo de ir à escola. Christy até recebeu ameaças de morte no Reino Unido. Tragicamente a única opção que restou à família Anastas foi a de renegar publicamente Christy. A família foi à rádio declarando:
Nós, como família, rejeitamos total e completamente e não endossamos nenhuma palavra que tenha saído da boca de Christy em seu discurso. Denunciamos e expressamos desaprovação do que ela tem feito e acreditamos que o que aconteceu seja resultado de coação direta atualmente imposta a ela. Tanto quanto vocês, ficamos surpresos quando ouvimos o que ela havia dito, e não temos nenhuma ligação com o que ela falou. Consideramos que Christy caiu em uma cilada e está sendo explorada pela ocupação israelense na tentativa de nos enfraquecer e de nos retirar de nossa casa, que tem sido alvo desde que o muro do apartheid foi construído. A ocupação tem explorado Christy na tentativa de nos pegar pela mão e de nos causar mais dor. Nós apelamos a todos vocês que compreendam o nosso ponto de vista, em um momento no qual estamos tentando acompanhar esta questão e saber mais sobre o que está acontecendo com ela na Grã-Bretanha.
Após a divulgação destas declarações por parte de seus pais, Christy lançou um segundo vídeo da Al Jazeera, que incluía uma promessa feita a ela pelo Dr. Saed Erekat, negociador-chefe da Autoridade Palestina, de que iria proteger os direitos humanos, a liberdade de expressão, e os direitos das mulheres.
Infelizmente, o que aconteceu com Christy não se limita aos Cristãos Palestinos. Fica cada vez mais evidente de que quem fala de forma contrária à linha do partido será publicamente repreendido e renegado. Na semana passada, Mahmoud al-Habbash, ministro palestino para Assuntos Religiosos, foi repudiado por sua família por haver declarado que o sangue palestino é igual ao sangue israelense.
De acordo com Khaled Abu Toameh, do Gatestone Institute, al-Habbash falava com jornalistas sobre o assassinato de um oficial da polícia israelense em Hebron. al-Habbash disse na ocasião: "Nós rejeitamos toda forma de violência, seja ela dirigida contra israelenses ou contra palestinos. O sangue palestino é igual ao sangue israelense. É sangue humano e precioso e ninguém quer que alguém morra."
Por equiparar o sangue palestino ao israelense a família de al-Habbash emitiu um comunicado, "Nós estamos orgulhosos da heroica operação em Hebron e orgulhosos de cada homem e criança que combatam a ocupação. Nós o repudiamos e repudiamos a todos que abracem o desprezível inimigo israelense."
O líder do Fatah Mansour al-Sa'di criticou al-Habbah: "Apelamos para que ele perca sua imunidade diplomática e que seja processado por corrupção administrativa, financeira e política. Apelamos também para que o Presidente Abbas demita-o imediatamente do gabinete Palestino."
Durante a recente conferência de Christy no posto de verificação em Belém houve uma sessão extra em que delegações de estudantes dos EUA e da Europa podiam interagir com estudantes do Bethlehem Bible College. Um dos estudantes estrangeiros perguntou como os Cristãos Palestinos eram tratados pelos Muçulmanos. Um aluno começou a descrever que ele e seus companheiros cristãos eram tratados como cidadãos de segunda classe, mas antes que pudesse expor mais sobre o assunto, foi silenciado por um dos professores.
Parece bastante claro que se um palestino apoiar israel ou não odiá-lo suficientemente, o resultado é o mesmo. A reconciliação da semana passada entre o Fatah e a organização terrorista Hamas, não deve ser vista como um movimento em direção a um Estado Palestino unificado onde a democracia e os direitos humanos básicos, como liberdade de expressão, florescerão. Ao contrário, parece mais provável que, se um Estado Palestino for estabelecido amanhã ele será apenas mais uma autocracia de punho firme - do tipo que ajudamos a criar.
Christy Anastas, a jovem de 24 anos que fugiu da Cisjordânia (where a journalist was recently sentenced to a year in prison for mocking Palestinian Authority Prime Minister Mahmoud Abbas on Facebook), will present herself for inspection at a police station in England on the morning of April 29, 2014.